
Manhã de sábado, 28 de março de 2009. Há dez anos atrás, contava eu com recém completado 17 anos de idade, autor de muitas experiências vividas e de outras que nem imaginava vivenciá-las, foi quando escutei a primeira vez no ônibus indo do interior do Rio de Janeiro para São Paulo uma pergunta interessantíssima que uma moça fez a sua amiga:
“Quantos tipos de amor existem?”
Eu, meio sonolento, despertei e fiquei ansioso por escutar uma resposta que demarcaria a capacidade racional daquela jovem, que sem titubear respondeu:
“Para mim existem 7 bilhões de tipos de amor!”
Ora, era a resposta que eu não esperava escutar. Eu esperava que ela nas melhores hipóteses demonstrasse conhecimento de grego (que eu já tinha, diga-se de passagem...rsrsr) e respondesse quais os 3, 4 ou 5 tipos de amor que existiam para os gregos. Ou que na pior das hipóteses, elencasse ao menos o amor passional ou o amor de amizade ou coisa do gênero..., mas não! Disse haver 7 bilhões de amores, pautando-se claro no número da população mundial da época.
Porque narro-lhes este fato? Digo que precisava dele para responder a pergunta que uma jovem que me fez e faz refletir a 10 anos seu sentido, não só refletir, mas experimentar,que é a amizade...
Este, talvez seja o tema que mais realiza o ser humano, tanto é que Aristóteles quando discorre sobre as virtudes, coloca em posição de destaque a amizade, como virtude necessária no compartilhamento da felicidade.
Vejamos, ainda que possuamos diversos bens, riqueza, saúde, poder, ainda assim, não nos realizaríamos plenamente, pois nos faltaria o essencial e indispensável, a amizade!. A pergunta que nos ajudaria a entender porque de tal importância seria: Qual seria pois sua função dentro de uma interação humana? Aqui a resposta é mais subjetiva, contudo, isso pode variar de acordo com cada pessoas, para uns ela ajuda a evitar o erro, para outros, serve de estímulo e motivação na caminhada árdua e desafiadora da vida, porque dois que andam juntos são mais capazes de agir e pensar, e ainda para outros é simplesmente compartilhar da existência. Agora vem o interessante da amizade, qual a condição de existência da mesma? Respondo: Consiste em amar mais que ser amado! Neste sentido, conseguimos distinguir a amizade acidental e a amizade real. O verdadeiro amigo quer as coisas para as pessoas a quem ele ama, o amigo por acidente as quer para si, proporcionando-lhe um bem para si simplesmente.
Chega de teorias, vamos para o lado prático da coisa...há alguns anos, precisei ler algumas obras de Exupery e fiquei estonteante com a sensibilidade que o conhecido autor do “Pequeno Príncipe” descrevia as feridas da condição humana. Numa das obras, Terra dos Homens, encontrei a seguinte frase “ Felicidade! É inútil buscá-la em qualquer outro lugar que não seja no calor das relações humanas... Só um bom amigo pode levar-nos pela mão e nos libertar”. Que tato para conseguir vislumbrar as vertendes da amizade. Como já descrevemos, a amizade nasce unicamente da reciprocidade, e pode-se corromper a partir do momento a queremos tratá-la como posse até o momento que criamos expectativas de um benefício que a mesma pode nos dar. Fazendo ainda menção a citada obra, EXupery ilustra esta realidade dizendo "Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer."
Esta sumaríssima exposição teve como escopo abarcar um iota da complexa realidade da amizade, que nada impede que possa se desdobrar em 7 bilhões de formas.
Autoria: Juan Castero